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Nanotubos Isolados |
Em um recente trabalho publicado
na RSC Advances, revista científica da RoyalSociety of Chemistry, pesquisadores da UFABC, Unicamp e USP mostraram que é
possível imitar processos exibidos em condições específicas na natureza. Utilizando nanotubos de óxido de titânio em conjunto com uma biomolécula
denominada citocromo c, os pesquisadores produziram um material, denominado
bionano-compósito, capaz de interagirem entre si e também com a luz. Para falar
sobre esse trabalho, convidamos a Dra. Iseli Lourenço Nantes, professora
titular de Bioenergética da UFABC, que enfatizou: "Muita gente já ouviu falar da fotossíntese e já aprendeu que,
nesse processo, as plantas usam o gás carbônico que liberamos na expiração mais
a água que a planta extrai do solo para fazer os açúcares que encontramos nas
formas úteis como combustíveis energéticos tais como a glicose e a frutose e na
forma útil como estrutura, ou seja, celulose que dá resistência e proteção às
plantas e é utilizada para várias finalidades como o fabrico de papel, por
exemplo. No entanto, como o nome do processo já diz, para que a planta possa
juntar CO2 e água (H2O) e produzir a glicose (C6H12O6),
é necessário a presença de luz. E por que isso? Porque na construção da
molécula de glicose, a molécula de água entra com seus hidrogênios (os
oxigênios são liberados como O2) e as moléculas de CO2
com os carbonos e oxigênios, contudo, os hidrogênios que integram a estrutura
da água possuem elétrons com baixa energia para integrar uma molécula de
glicose. Assim, no processo de fotossíntese, a clorofila recebe os elétrons da
água, absorve a luz solar e “energiza” os elétrons permitindo que possam ser
usados na síntese de glicose.
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Quando em contato com citocromo c
os nanotubos se organizam |
Em trabalho recente, mostramos pela primeira vez
um sistema mimético da fotossíntese no qual conseguimos transferir elétrons
para uma proteína da cadeia respiratória (o citocromo c) que requer elétrons
com mais energia do que os presentes na molécula de água. Nesse sistema,
utilizamos no lugar da clorofila, nanoestruturas, na forma de nanopartículas e
nanotubos do material semicondutor TiO2. Dominar esse processo
natural de fotossíntese é a base para as mais diversas aplicações de captação e
uso de energia."
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