Nanomateriais podem ser 1000 vezes mais eficientes na geração de
hidrogênio a partir da luz solar
"O desenvolvimento
de novas estruturas na escala nanométrica que favoreçam a conversão de luz
solar em hidrogênio de maneira eficiente e com baixo impacto ambiental é ainda
um grande desafio dos próximos anos", relata o Físico e Doutor em
Engenharia de Materiais, Professor Flávio Souza, da Universidade Federal do
ABC.
O
aumento da demanda energética no mundo, aliada a urgente necessidade de reduzir
a emissão de poluentes, faz da busca por fontes alternativas de energia o
grande desafio da humanidade para as próximas décadas. Neste contexto, o hidrogênio
(H2) vem sendo apontado
por alguns especialista como o combustível do futuro, devido ao seu grande
potencial de aplicação, como em veículos automotivos, aquecimento domésticos,
aviões, entre outros. Segundo relata Dr. Souza para o nosso Blog, os
investimentos no desenvolvimento de metodologias e tecnologias para produzir
esse combustível de maneira sustentável e com baixo impacto ambiental tem
dobrado nos últimos anos. Um exemplo é a China que se tornou o maior investidor
no desenvolvimento de tecnologias para produção de energia alternativa, com
cerca de 47 bilhões de dólares, ultrapassando os EUA. Já o Brasil, fica na lista
em 10º lugar no mundo, como o país que mais investe em energias renováveis.
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Ilustração da absorção de luz pelos nano-bastonetes alinhados |
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Durante exercícios de ordem unida, os soldados ficam alinhados e perfeitamente espaçados. Fonte: Plano Brasil |
Especialista
na área, o Professor Flávio ainda acrescenta: "Uma maneira elegante, prática e eficiente para produzir
o hidrogênio é utilizar a energia solar, por meio de um processo chamado de
foto-eletrólise. Neste caso, dois eletrodos são utilizados para quebrar a
molécula da água em moléculas de hidrogênio e oxigênio, com o auxílio da
energia solar. Em um trabalho publicado recentemente, mostramos uma
metodologia simples para produzir um tipo de nanomaterial a base de óxido ferro, que foi utilizado em um dos eletrodos (onde ocorre o desprendimento do
gás oxigênio) de uma célula de foto-eletrólise. Nós mostramos, pela primeira
vez, que o nosso material é 1000 vezes mais eficiente, comparado aos trabalhos até
então publicados com a mesma metodologia para a obtenção do nanomaterial. O bom desempenho foi atribuído às
nanoestruturas em formato de bastões, alinhadas lado à lado, intercaladas com
espaços vazios, como soldados durante uma apresentação de ordem unida. Isso favoreceu o aumento da absorção da luz
solar e o transporte eficiente das partículas (elétrons) geradas pela absorção
da luz. Além disso, esse tipo de arranjo proporciona grande área de contato com
a água, o que facilita as reações químicas na presença de luz."
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